Resumen por BIC
El movimiento Vía Campesina divulga una carta donde refuerza su posición en la lucha contra la venta del río Madeira. La carta es el resultado de un esfuerzo conjunto de los campesinos y las campesinas de todas las regiones del Brasil, representantes de diversos Movimientos y organizaciones que componen la Vía Campesina Brasil. La carta manifiesta los aspectos que Vía Campesina denuncia con respecto a las obras previstas para el Complejo del Río Madeira en el Estado de Rondonia en Brasil en la frontera con Bolivia. Tal y como resaltan en la carta el agua y la energia no son mercancias.
Carta del Movimiento Vía Campesina:
Nós, camponeses e camponesas de todas as regiões do Brasil, representantes dos diversos Movimentos e organizações que compõem a Via Campesina Brasil, reunidos em Goiânia, nos dias 26 a 30 de novembro em uma grande Planária Nacional da Via Campesina Brasileira vimos através desta carta nos manifestar a respeito das obras previstas para o Complexo do Rio Madeira, no Estado de Rondônia- Brasil, divisa com a Bolívia.
1- Denunciamos que este plano, denominado de Complexo do Rio Madeira, é parte dos grandes projetos previstos pelas grandes empresas multinacionais interessadas em se apropriarem dos recursos naturais, energéticos e financeiros de nosso país.
2- Denunciamos que, historicamente, este tipo de projeto tem servido apenas para acumulação de riquezas nas mãos de grandes empresas nacionais e multinacionais as quais não possuem nenhum compromisso com o povo brasileiro. Pelo contrário, o que se observa nestas regiões, é uma brutal destruição da natureza e o aumento da pobreza, especialmente sobre as populações locais, bem como, dos trabalhadores que depois das obras feitas são relegados à própria sorte.
3- Denunciamos que a energia elétrica produzida através das barragens é de baixo custo, no entanto, é vendida a população por um alto preço e oito vezes mais cara do que para as grandes empresas consumidoras, gerando altíssimas taxas de lucro aos "donos". No caso da barragem de Santo Antonio e Jirau o faturamento na geração e distribuição ultrapassará 1 milhão de reais por hora. Estes lucros não se revertem em ações que melhorem a vida da população, fato que reforça a convicção de sermos contra a todo e qualquer tipo de privatização.
4- Denunciamos que o discurso de progresso e desenvolvimento é falso e nunca chega para quem mais precisa. Lembramos a barragem de Tucuruí, onde após 20 anos da sua construção, milhares de famílias continuam excluídas, sem terra, sem trabalho, sem casa e sem acesso a energia elétrica.
5- Denunciamos que as práticas de repressão e intimidação contra quem se opõe a este estado de coisas é sempre forma usada para garantir a execução das referidas obras.
6- Denunciamos que quem vai acabar pagando a conta será o povo brasileiro, através do financiamento via BNDES e ou através das altas tarifas de energia elétrica,que hoje representam uma espécie de rapina sobre a população.
7- Com os mesmos interesses e prática, as grandes empresas agem em muitos outros locais, inclusive em terras indígenas como ocorre na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, estado de Roraima onde está sendo construída a barragem Cachoeira Tamanduá. Esta barragem atinge 37 comunidades indígenas.
8- Por fim, denunciamos que o leilão previsto pela Agencia Nacional de Energia Elétrica-ANEEL, para o dia 10 de dezembro, na verdade representará a privatização de parte da Amazônia.
Frente a isto, nós da Via Campesina Brasil reforçamos nossa disposição de luta contra a venda do Rio Madeira.
Conclamamos o povo brasileiro e boliviano, as organizações sociais, entidades, representantes e todas as pessoas a se incorporar e somar junto nesta luta e em defesa da Amazônia, buscando construir soluções que de fato possam resolver e melhorar a vida do conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras deste país.
Água e Energia não são mercadorias!
Goiânia, 30 de novembro de 2007